Em 24 de março de 2026
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Oficina Pública coletou demandas da comunidade, reforçando o papel do Comitê em garantir a gestão participativa nas decisões que impactam no futuro dos nossos recursos hídricos
O processo de construção do Plano de Educação Ambiental do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Baixo Paranaíba (CBH PN3) deu um passo importante na última sexta-feira (20/03). Em Oficina Pública realizada no Auditório da Prefeitura Municipal de Tupaciguara, o Comitê apresentou os avanços da Etapa de Diagnóstico, momento crucial para entender a realidade ambiental do território e ouvir quem nele vive.
O evento contou com a presença da EnvEx Engenharia e Consultoria, empresa responsável pela elaboração do Plano, que detalhou como as informações colhidas até agora servirão de base para as próximas ações. O foco central do encontro foi a transparência e a construção coletiva, permitindo que a população local pudesse validar os dados e oferecer novas perspectivas sobre os desafios da bacia.
A Educação Ambiental como elo entre setores
Para o representante da EnvEx, o debate da educação ambiental ganha uma força estratégica quando pensada sob a ótica da bacia hidrográfica, pois integra diferentes atores que compartilham o mesmo recurso.
"Quando a gente fala em discutir isso em nível de bacia hidrográfica, a gente está falando em abranger ao mesmo tempo prefeituras, indústrias, empresas e agricultura. São diversos setores pensando juntos a educação ambiental em um território que já faz sentido para todo mundo", explicou o engenheiro.
Do diagnóstico à ação: As etapas do Plano
O plano é estruturado em fases rigorosas para garantir que as soluções sejam eficazes. Após a definição do plano de trabalho e a fase de diagnóstico — que utilizou formulários online e pesquisas documentais para entender os gargalos da região —, o projeto entra agora na fase de prognóstico.
Nesta etapa atual, o objetivo é desenhar as respostas aos problemas identificados. "Estamos indicando quais são os projetos de resposta a esses problemas e como a educação ambiental pode apoiar a solução dessas questões", destacou o representante da consultoria. O processo será finalizado com um resumo executivo e uma capacitação geral para que o plano seja, de fato, implementado no dia a dia da bacia.
O despertar para o coletivo
Um dos pontos altos da Oficina em Tupaciguara foi a transformação de dados técnicos em consciência social. Ao visualizar o cenário completo da bacia, o cidadão passa a compreender que os desafios ambientais, como as mudanças climáticas, não são problemas isolados, mas coletivos.
"A grande importância da oficina é tornar um dado público em um nível que as pessoas saiam do individual e passem a pensar no coletivo. Ao apresentarmos os dados, a pessoa percebe que o que acontece com ela também afeta outros municípios", pontuou o engenheiro da EnvEx.
A participação da comunidade em Tupaciguara reforça o compromisso do CBH PN3 com uma gestão hídrica participativa, onde a educação ambiental não é apenas um conceito, mas uma ferramenta prática para garantir a sustentabilidade e a preservação dos recursos hídricos para as futuras gerações.
Investimento estratégico na conscientização
Com investimento de aproximadamente R$ 408 mil provenientes da cobrança pelo uso dos recursos hídricos, o Plano de Educação Ambiental representa a aposta estratégica do CBH PN3 na mudança de comportamento e na construção de cultura de cuidado com a água.
Diferente de obras de infraestrutura, cujos resultados são visíveis e imediatos, ações de educação ambiental têm impacto de médio e longo prazo. Mas são fundamentais para garantir a sustentabilidade de qualquer política de recursos hídricos. De nada adianta investir milhões em estações de tratamento se a população continua poluindo rios. De nada adianta recuperar nascentes se produtores rurais não compreendem a importância de protegê-las. De nada adianta ter instrumentos de gestão sofisticados se a sociedade não participa das decisões sobre suas águas.
O Plano de Educação Ambiental é, portanto, investimento na base da gestão de recursos hídricos: pessoas informadas, conscientes e engajadas com a preservação das águas de sua região.
Sobre o CBH PN3
O Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Baixo Paranaíba é um órgão colegiado que reúne representantes do poder público, usuários de água e sociedade civil para promover a gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos na bacia, que abrange 21 municípios. A Abha Gestão de Águas atua como entidade equiparada à agência de bacia, oferecendo suporte técnico e administrativo às ações aprovadas pelo Comitê.